14 de ago de 2013

O Lado Obscuro de cada um de Nós - Carl Gustav Jung

"Passou no seu casamento por aquilo que é quase um facto universal - os indivíduos são diferentes uns dos outros. Basicamente, constituem um para o outro um enigma indecifrável. Nunca existe acordo total. Se cometeu algum erro, esse erro consistiu em ter-se esforçado demasiadamente por compreender totalmente a sua mulher e por não ter contado com o facto de, no fundo, as pessoas não quererem saber que segredos estão adormecidos na sua alma. ...
Quando nos esforçamos demasiado por penetrar noutra pessoa, descobrimos que a impelimos para uma posição defensiva e que ela cria resistências porque, nos nossos esforços para penetrar e compreender, ela sente-se forçada a examinar aquelas coisas em si mesma que não desejava examinar. Toda a gente tem o seu lado obscuro que - desde que tudo corra bem - é preferível não conhecer.
Mas isto não é erro seu. É uma verdade humana universal que é indubitavelmente verdadeira, mesmo que haja imensas pessoas que lhe garantam desejar saber tudo delas próprias. É muito provável que a sua mulher tivesse muitos pensamentos e sentimentos que a tornassem desconfortável e que ela desejava ocultar de si mesma. Isto é simplesmente humano. É também por este motivo que tantas pessoas idosas se refugiam na própria solidão, onde não serão incomodadas. E é sempre sobre coisas de que elas não desejariam estar muito cientes. O senhor não é, obviamente, responsável pela existência destes conteúdos psíquicos. Se, apesar disto, ainda for atormentado por sentimentos de culpa, reflicta então sobre os pecados que não cometeu e que gostaria de ter cometido. Isto poderá eventualmente curá-lo dos seus sentimentos de culpa relativamente à sua mulher."

Carl Jung, in 'Cartas'


Reflexões dos leitores das Drágeas Psicológicas - via facebook:

"Que parte do espelho não quero ver? Minha esposa é meu espelho e eu o dela, queiramos ou não... Há uma cumplicidade mais completa quando existe um mínimo de liberdade no expressar tanto o que agrada quanto o que desagrada. Este último é campo minado na cognição humana, pisa-lo sem saber lidar com as explosões, ou o que seria melhor, evitá-las pelo mútuo acordo e prévio anúncio, é habilidade de poucos. "Torne o erro fácil de ser corrigido" disse um autor que hoje seria considerado "autoajuda" no sentido depreciativo embora quando escreveu isso o termo nem existisse nem essa, muitas vezes, ácida e elitista classificação também. Trata-se de Dale Carnegie, no livro "Como fazer amigos e influenciar pessoas" que eu considero um tratado prático do relacionamento humano. Assim as diferenças serão aceitas como parte de cada um e aquelas que forem espinhos para o outro, provavelmente será muito interessante que o portador de tais espetos veja que será muito bom para si, também, retirá-los. Nada fácil o exercício mas há um tempero que rege o processo, quando de sucesso: a vontade de viver. E isso inclui querer momentos felizes mais frequentes e o cultivar do hábito delicioso de se ver construindo mais sorrisos a cada dia...O que me impulsiona quando preciso superar um viés, particularmente confidencio, é o prazer de vê-la feliz ou a tristeza de não tê-lo feito."
 
Antônio Bedran
 
 
"Interessante o pensamento de que os idosos gostam de viver em sua solidão para "impedir" outros de entrarem em seus mundos e serem vistos como são, ou serem confrontados consigo mesmos. A fragilidade humana está no fato de que quanto mais o outro nos conhece, mais vulneráveis estamos de nós mesmos. É mais fácil a superficialidade dos atos do que a profundeza de suas consequencias. E voltamos a um assunto há muito abordado e que fecha um ciclo a respeito. Muitos são aqueles insatisfeitos com suas relações e que entram em depressão por não conseguirem achar alguém que possa corresponder seus sentimentos e, no entanto, será que estão à procura disso mesmo? Ser superficial é mais fácil de ser enfrentado porque não precisamos encarar medos e vulnerabilidades. Para ser profundo não basta somente uma troca de sentimentos mas a busca por um abismo que muitos não conseguem chegar, não por não quererem, mas talvez pela falta de preparo e pela solidão que muitos preferem viver...."
 
Caroline Kitayama


"Quando nos esforçamos demasiado por penetrar noutra pessoa, descobrimos que a impelimos para uma posição defensiva e que ela cria resistências porque, nos nossos esforços para penetrar e compreender, ela sente-se forçada a examinar aquelas coisas em si mesma que não desejava examinar." Especialmente esse trecho considerei especial. A reflexão de Carl Jung serve não somente a casais, mas aos indivíduos, as pessoas estão atualmente mais distantes e quando se aproximam geralmente nos lançam suas "verdades absolutas". Esquecemo-nos que fazemos parte de um Todo, mas ainda possuimos a individualidade que é tão especial quanto as digitais Divinas o são, respeitar o outro mesmo desejando conhecê-lo melhor, é ir devagar, lembrando sempre que o termo Eu Sou, é mais profundo que as superficialidades da vida viciada no externo, é olhar mais para dentro, mesmo sem querer ver, enfrentar as próprias sombras, pois só assim conheceremos melhor a natureza humana e teremos como nos aproximar mais do outro. Excelente texto!"

Paula Nobre
 
 
"[Sobre o insight de Caroline Kitayama] - Talvez a linguagem dificulte também... Quando a aspiração é por elevação e não por "profundidade" quem sabe o esforço da subida ou o "sofrer" do caminhar íngreme não seja relativisado pela expectativa da vista mais ampla, da consecução em si? Há um Guardião no Umbral, diziam os Antigos. Em seu simbolismo, triado por milênios nas associações e arquétipos ao que o Homem vai tendo acesso e/ou construindo eles pareciam dizer: "cuida de teu mental, atrelado demais ao sensório pois ELE é o verdadeiro inimigo que "guarda" o Portal cujo traspasse o ameaça."

Antônio Bedran
 
 
 
"Bonitinho, mas não sei se concordo com tudo. Ultimamente tenho preferido a solidão, mas não por defesa contra que os outros podem despertar em mim e eu não queria ver, é pra não ter que aguentar gente burra mesmo, rsss, limitada pelos condicionamentos padrão do sistema, incapazes de enxergar em si um potencial Divino e ilimitado. Na verdade sinto é que eu tenho incomodado e como quero viver na minha paz, prefiro me afastar pra não bater de frente, isso gera muito desgaste. É preciso cuidado ao se comprar integralmente uma idéia, ainda que ela tenha sido dita por alguém genial. De olho em nós, nas nossas sombras e na dos outros também, rssss. Já dizia Jesus:ORAI E VIGIAI!"
 
Mônica Bonates Feijó

 
"Esse final matou, hein?! Quem muito culpa os outros é porque não cometeu pecados o suficiente..."
 
Cibele Kamchen

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