8 de mar de 2012

“Mulher macho, sim senhor!”

Acordada com um doce beijinho...
Sofia, ainda quentinha, enrolada no lençol, chega bem pertinho e sussurra em meu ouvido: “Feliz dia da mulher mamãe...”
Pra você também minha filha!
Um abraço gostoso... E, mais uma vez, a certeza de que ela e o irmão eram duas das melhores experiências nessa existência feminina.


Dia Internacional da Mulher... e aquela gatinha manhosa que me veio acordar agora era uma arara gritando aos quatro cantos da casa que hoje era o seu dia.  Ian ficou possesso com essa história! Como ele poderia ficar de fora? “Isso não é justo!” Esbravejava, especialmente porque Sofia batia e rebatia na história de que ele deveria fazer tudo o que ela quisesse e mandasse... meu café da manhã virou um caos enquanto eu lembrava de pessoas conhecidas que, apesar de adultas, se portavam da mesma forma.

A casa já silenciosa deixa um convite à criação. Inúmeras mensagens e imagens sobre a mulher enfeitavam meu mural. Parei para refletir sobre seis pontos fortes e presentes em várias delas e... só pensava nos homens.


“Ser mulher é...

Agir com o coração” – e não haveria necessidade se não amasse e, amando, há a percepção quanto às limitações dos HOMENS ao meu redor, talhados para agirem objetivamente e com isso não se quebrarem em mil pedaços. Qualidades como a razão e a objetividade masculinas me impulsionam a desenvolvê-las dentro de mim, me tornando mais prática quando necessário, abrindo espaço para que eles possam manifestar seus sentimentos. Eles também têm esse direito, privados culturalmente, inclusive por nós, quando ainda pequenos!

“Sangrar todo mês e ainda assim “dar conta” dos múltiplos expedientes” – não há necessidade em nos violentarmos na tentativa de provar para o mundo que somos super heroínas e ainda assim, não ganharmos dinheiro nem prestígio suficiente com isso. Que tal um Buscopan Composto e a consciência de que nos esforçamos porque gostamos dos bons resultados oriundos dos investimentos financeiros e afetivos? Isso pode ser ainda mais gratificante quando um homem se dispõe a nos auxiliar. Dessa forma, nos tornamos heroínas e ainda sobra mulher. O mito de mártir não faz minha cabeça.

“Administrar emoções” - não o façamos apenas para sermos diferentes dos homens. Evitemos a “vala comum” que compartilha da ideia de que o sexo oposto pouco ou nada sabe sobre os sentimentos. Se somos tão sábias no tocante ao assunto, somos então peças fundamentais na administração das emoções por intermédio da educação das mesmas, formando filhos conscientes sobre a importância do SER INTEGRAL, seja a criança uma menina ou um menino.

“Não possuir o prestígio peniano e ainda assim cavar seu espaço na sociedade” – talvez tivesse cedido às inúmeras investidas de homens no ambiente de trabalho, não fosse a certeza de querer obter reconhecimento profissional pela minha competência e não pela minha vagina. Para cada sedução uma descoberta e a certeza de que para se atingir “lucros”, outros caminhos existem além da cama. Os homens estavam lá para que eu me questionasse e decidisse.

“Tirar a comida da própria boca para dar a um filho” – definitivamente eu faria isso, se não tivesse ao meu lado um HOMEM que, junto comigo, se desdobrasse para prover a nossa família e, enquanto sozinha, não conseguisse sustentar a prole.

“Conhecer a magia da gestação” – e não seria possível se não existisse um HOMEM para colaborar com essa experiência, mesmo que a produção fosse independente.

Várias mensagens, senão todas, favorecendo a mesma reflexão. A de que é humanamente impossível se descobrir mulher sem um HOMEM, que ausente ou presente, carinhoso ou não, fecunde, nutra, instigue o emocional ou o racional da mulher, tente neutralizar as competências com as seduções, seja naturalmente diferente e, assim sendo, nos atraia com um magnetismo desconcertante e um desafio inquietante de nos enxergamos por intermédio de sua imagem, nos tornando mais guerreiras, mais inteiras, à medida que permitimos deixar fluir nossa essência masculina, sem que para isso necessitemos competir, denegrir ou devorá-los.

Feliz dia... para todos!


Ana Virgínia Almeida Queiroz







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