O muro da Depressão.

Não há dúvidas sobre a importância e influência dos pais na primeira infância de um indivíduo.

Mergulhando no inconsciente.

Muitas pessoas têm receio de fazer psicoterapia.

Um olhar para a depressão

A depressão é diferente do estado deprimido, o qual pode ser resultado de fatos corriqueiros

Tirando a poeira debaixo do tapete

Você sabe que algo não vai bem, mas não sabe como criar espaço para dizê-lo

As relações não curam todas as carências

“Nós escrevemos scripts para outras pessoas encenarem, mas esquecemos de lhes comunicar isso”.

Transtorno do Pânico

A síndrome do pânico enquadra-se no conjunto de transtornos de ansiedade

23 de mar de 2012

A relação com empregadas domésticas, um aprendizado sem limites!

E lá estávamos as duas, frente a frente, jogando o peso do corpo na bancada da pia da cozinha. Ela, mais nova 13 anos, eu, 20 cm mais baixa e bem mais magra. As duas com filhos na mesma idade.

- O que foi dessa vez?
- Quero voltar a estudar e trabalhando para dormir no emprego não dá. Estou aqui há um ano e meio e não quero ser doméstica para sempre.
- O que você pretende fazer?
- Vou arrumar um emprego que eu possa ir embora todos os dias para poder estudar à noite.
- Acho super justo! Quando você pretende sair?
- O mais rápido possível!
- Pondere. O ano letivo já começou. Para se matricular como aluna regular algumas questões, como o prazo para matrícula, devem ser observadas. Ainda há vaga nas escolas que você visitou?
- Ainda não fui em nenhuma escola!
- Tem o meu apoio e espero poder contar com você até arrumar outra pessoa. Veja direitinho como vai fazer. Visite as escolas e voltamos a conversar.
- Eu não queria te que sair daqui, mas preciso estudar.
- Eu não quero que você saia, mas preciso trabalhar.
- E agora?
- Deve haver alguma saída que não o estudo regular.
- Um curso que eu possa fazer nas noites em que você não trabalha?
- Sim. Veja isso.´

Mulheres como eu, que acumulam as funções de mãe de filhos ainda pequenos, esposa, profissional e estudante sabem exatamente quais os sentimentos mais comuns nesse momento. Milhões de preocupações se apoderam de nossas mentes obstruindo o nosso canal criativo no tocante à resolução do problema. Não obstante o desgaste de procurar outra funcionária, precisamos reiniciar um processo de adaptação para todas as partes. E se judiar dos filhos, for respondona, ladra? Inseguranças que nos consomem noites de sono. Mas, tal ansiedade pode ser controlada se observamos alguns pontos importantes e reconhecermos necessidades afetivas que norteiam a relação em questão.

Lembrei de uma conversa travada com uma colega sobre o perfil da empregada doméstica na atualidade. Aquele quadro, composto por membros da família convivendo com uma funcionária que aderia aos valores do grupo e ali permanecia por anos, não existe mais. Abstraindo outras realidades, pois não as conheço, o que podemos aferir sobre Brasília é que nossas secretárias não aceitam trabalhar por um salário mínimo e se o fazem pela necessidade, logo uma colega de profissão lhe “abre os olhos”. Das duas uma: ou ela vai trabalhar em outro lugar por indicação de sua defensora, ou ela fica em sua casa insatisfeita. O resultado disso são patrões pagando caro para terem o direito de exigir, mesmo sem dele fazer uso, mas sem garantia de que permaneçam no emprego. E as condições não param por aqui.

As que não pernoitam no serviço – e não falo dormem, porque algumas o fazem mesmo no horário de expediente – querem ir embora no máximo às 16 horas, quando chegaram às nove e passaram boa parte do tempo no celular. Resultado: almoço quentinho, mas casa mal limpa, roupa mal passada e crianças por conta de outra funcionária, de uma creche, ou de qualquer alternativa encontrada para resolução da falta do apoio exposta. Vivemos uma realidade na qual paga-se bem para profissionais pouco qualificadas e muito exigentes.


Sabem como ninguém sobre seus direitos e pouco ou quase nada sobre seus deveres. Quando contrato uma empregada, dou-lhe uma cópia atualizada do manual sobre os direitos do trabalhador doméstico, faço com ela uma breve leitura sobre as questões principais e peço para que a ele recorram em caso de dúvida. Esse primeiro momento é crucial no estabelecimento de limites, os quais, apesar de na prática não funcionarem de imediato, promovem segurança para retomarmos a partir de questões legais sempre que necessário. No entanto, tais medidas não extinguem situações ainda mais difíceis na relação em apreço, provocadoras de mal estar e insegurança na parte contratante.

O tratamento sempre é cortês. Utilizo esse argumento todas as vezes que, por razões para mim desconhecidas – mas que prefiro atribuir à tensão pré-menstrual (TPM) ou à ausência de educação –, uma funcionária se porta inadequadamente em minha casa. Falo baixo, manso, firme e sempre olhando nos olhos. Tento gesticular o menos possível ou faço movimentos suaves. Deixo claro que não gostei da forma como se portou e que acredito que ela é capaz de fazer diferente. Com isso não delato a minha indignação e raiva pelo mau comportamento, não dou indícios de que tem o controle sobre meu bem estar e ainda posso conseguir sensibilizar a pessoa por intermédio do estabelecimento da confiança e do comprometimento. Se isso não funcionar, atenção! As inadequações podem evoluir em intensidade e frequência, sugerindo uma avaliação sobre a permanência da pessoa em sua casa. É importante estar atenta para o nosso nível de tolerância e não nos violentarmos. Nem sempre o correto a ser feito é o que damos conta ou é possível naquele momento.

Quando se tem filhos pequenos ou em idade pré-verbal, toda a atenção é pouca. Para aqueles que conseguem instalar câmeras pela casa, perfeito! Para os que não conseguem, por questões financeiras ou por medo, existem formas de saber o que se passa. Não me refiro apenas aos resultados de um problema já instalado, como maus tratos, por exemplo. Falo de um instrumento poderoso e acessível que nos esquecemos de utilizar nas mais diversas situações cotidianas. Esse dispositivo, detector de problemas chama-se sistema digestivo, mais especificamente ESTÔMAGO.

Antes de entrevistar uma pretendente a empregada, observe-se. Sente náuseas, “borboletas no estômago”, opressão, angústia, cólica? Não permita que o desespero e a necessidade de encontrar alguém ofusquem a sabedoria manifestada no seu organismo. O nosso corpo dá sinais. Se tudo correr a contento na entrevista, invista, aposte, mas não se desconecte dos sintomas físicos. No mais, questões já batidas e rebatidas quanto ao comportamento das crianças como aversão, choro, falta de apetite, sono perturbado, entre outros, são indícios claros de que algo não vai bem. Sendo assim, investigue. Procure acreditar em suas percepções sem que a ansiedade lhe tiranize, mantenha a calma e crie estratégias até encontrar uma funcionária que se enquadre à sua realidade.

Como várias pessoas, adoro fazer pequenos agrados à minha secretária. Isso não me fere enquanto patroa e não danifica os limites compreendidos até então. Mas deixo claro que para que isso aconteça, a troca tem que ser justa e sem grandes expectativas. No começo é um pouco complicado, pois estamos inseridas em uma situação de conhecimento uma da outra. Damos início então ao que chamo de “processo de encantamento”, onde tudo é ótimo e flui em harmonia, mas onde também ficamos mais soltas e mostramos um pouco do que somos. Libero o primeiro agrado e vejo como ela reage. Ela é uma pessoa grata? Torna-se mais eficiente ou menos com as prendas? Reconhece-me como “boa patroa” ou passa a me olhar de cima, exigindo sempre mais?

Passados esses questionamentos, vem o seguinte passo: como me sinto a partir dessas reações? O que espero dessa relação? E estabeleço parâmetros, para mim mesma, de prestigiar de acordo com o que recebo, nada mais! Dessa forma, há possibilidade de que eu consiga fazer com que ela entenda que dou porque quero, pois reconheço seu esforço em fazer o melhor e não porque tenho pena ou por barganha (presentear em função do medo dela me deixar). Se, futuramente, ela precisar de mim, avalio se estamos aptas a “fugir” desse padrão momentaneamente e ajo de acordo com meus limites de forma consciente, evitando assim uma futura atribuição de culpas a quem quer que seja.

Procuro abstrair aborrecimentos secundários como comida simples todos os dias, panelas e bocais de fogão queimados, roupas manchadas ou mal passadas, casa suja, colcha de cama esticada quase na diagonal, pares de meias inconciliáveis , objetos danificados, entre tantos outros “detalhes” que me aborrecem profundamente se não fechar os olhos e pensar nas virtudes como o bom tratamento destinado aos meus filhos, o cumprimento do horário e o “não mexer nos meus pertences”. Não existe ser humano perfeito, logo essa prerrogativa também se aplica às empregadas domésticas. Estabeleça critérios essenciais para a manutenção de uma relação satisfatória com sua secretária – ah, e importantíssimo, não esqueça de dizer isso a ela! –, viva sem elas ou enlouqueça.

Um outro aspecto que julgo importante é a coerência. Quando firmamos um contrato, seja ele profissional ou de outra natureza, precisamos estar cientes sobre nossas condições quanto ao cumprimento. Isso faz toda a diferença nos relacionamentos. Naturalmente, nada é tão “engessado” que não possa sofrer alterações em função de nossas necessidades, que também mudam. Então é o momento no qual novos acertos são negociados, mantendo a clareza, a objetividade e o bem estar para ambas as partes. Abandonemos a pena e a culpa por gozarmos de uma condição econômica privilegiada em relação a elas e o medo da inveja que possam nutrir por nós. Tais sentimentos nos tornam incoerentes na execução do contrato.

O medo, ao mesmo tempo que nos protege, pode nos paralisar, impedindo que encontremos soluções práticas para os desafios. É a dinâmica da vida em suas diversas nuances, se manifestando no meio familiar, profissional e afetivo. Quando adolescente eu dizia que jamais contrataria uma empregada doméstica, principalmente porque perdemos nossa privacidade, o que é real em parte. No entanto, enquanto não dispomos de outros recursos, ou porque não estamos preparados culturalmente, ou porque não existem na nossa sociedade, e em razão disso, é com elas que vamos executando outras funções além do lar. O que me chama mais a atenção é esse medo, cuja força se expressa nesse tipo de relação. Nos tornamos reféns! Não podemos frustrá-las, pois tememos ficar sozinhas.

E de repente estamos mais desprotegidas do que nossos filhos, entrando em contato com a solidão que sentíamos toda vez que nossas mães iam trabalhar e nos deixavam com a empregada. Elas foram nossas “salvadoras” na ausência de nossas matriarcas, mas não mais o são. Somos adultas e mães e, diferentemente das nossas genitoras, por contingências temporais, possuímos muito mais recurso no tocante aos cuidados com a prole. Deixemos de esperar de nossas funcionárias o amor e o reconhecimento maternos e nos conscientizemos sobre o poder de mudar as coisas, estabelecendo relações com funções claras onde o papel delas é o de apoio e o nosso é o de administração da família em seus inúmeros aspectos.

É óbvio que os problemas não se findam com tais medidas. Novos desafios nos obrigam a pensar e repensar sobre nossos preparo e postura para lidarmos com as pessoas de um modo geral. A grande descoberta ao longo das experiências com as profissionais do lar é a de que primeiro devemos nos observar, para após a compreensão dos nossos sentimentos, abordá-las de forma assertiva. Nem sempre será possível responder a altura e respeitosamente uma afronta, uma resposta “atravessada” remetidas por elas, e isso certamente nos angustiará, nos deixando insatisfeitas. Até que percebamos que não precisamos nos manifestar imediatamente. Podemos ir para o quarto, respirar, elaborar e retomar o assunto. Essa atitude faz toda a diferença e indica que apesar de não nos posicionarmos no momento exato em que as coisas acontecem, não existe nenhuma lei que nos impeça a sua prática em outro instante, não tão distante dos fatos, quando já estamos mais centradas e fortalecidas.

A vantagem de ser uma boa aprendiz, é a de crescer com as experiências, percebendo que por mais que os padrões comportamentais teimem em se tornar repetitivos, com o tempo vamos superando os desafios com mais facilidade, permanecendo menos tempo no conflito, em resumo: crises mais espaçadas e menos duradouras. A vida seguindo seu curso, mas sem ausência de conflitos...

Obs.: a última imagem é referente à atuação da atriz Glória Pires na série O Primo Basílio.


Ana Virgínia Almeida Queiroz - Psicóloga - CRP: 01-7250









8 de mar de 2012

“Mulher macho, sim senhor!”

Acordada com um doce beijinho...
Sofia, ainda quentinha, enrolada no lençol, chega bem pertinho e sussurra em meu ouvido: “Feliz dia da mulher mamãe...”
Pra você também minha filha!
Um abraço gostoso... E, mais uma vez, a certeza de que ela e o irmão eram duas das melhores experiências nessa existência feminina.


Dia Internacional da Mulher... e aquela gatinha manhosa que me veio acordar agora era uma arara gritando aos quatro cantos da casa que hoje era o seu dia.  Ian ficou possesso com essa história! Como ele poderia ficar de fora? “Isso não é justo!” Esbravejava, especialmente porque Sofia batia e rebatia na história de que ele deveria fazer tudo o que ela quisesse e mandasse... meu café da manhã virou um caos enquanto eu lembrava de pessoas conhecidas que, apesar de adultas, se portavam da mesma forma.

A casa já silenciosa deixa um convite à criação. Inúmeras mensagens e imagens sobre a mulher enfeitavam meu mural. Parei para refletir sobre seis pontos fortes e presentes em várias delas e... só pensava nos homens.


“Ser mulher é...

Agir com o coração” – e não haveria necessidade se não amasse e, amando, há a percepção quanto às limitações dos HOMENS ao meu redor, talhados para agirem objetivamente e com isso não se quebrarem em mil pedaços. Qualidades como a razão e a objetividade masculinas me impulsionam a desenvolvê-las dentro de mim, me tornando mais prática quando necessário, abrindo espaço para que eles possam manifestar seus sentimentos. Eles também têm esse direito, privados culturalmente, inclusive por nós, quando ainda pequenos!

“Sangrar todo mês e ainda assim “dar conta” dos múltiplos expedientes” – não há necessidade em nos violentarmos na tentativa de provar para o mundo que somos super heroínas e ainda assim, não ganharmos dinheiro nem prestígio suficiente com isso. Que tal um Buscopan Composto e a consciência de que nos esforçamos porque gostamos dos bons resultados oriundos dos investimentos financeiros e afetivos? Isso pode ser ainda mais gratificante quando um homem se dispõe a nos auxiliar. Dessa forma, nos tornamos heroínas e ainda sobra mulher. O mito de mártir não faz minha cabeça.

“Administrar emoções” - não o façamos apenas para sermos diferentes dos homens. Evitemos a “vala comum” que compartilha da ideia de que o sexo oposto pouco ou nada sabe sobre os sentimentos. Se somos tão sábias no tocante ao assunto, somos então peças fundamentais na administração das emoções por intermédio da educação das mesmas, formando filhos conscientes sobre a importância do SER INTEGRAL, seja a criança uma menina ou um menino.

“Não possuir o prestígio peniano e ainda assim cavar seu espaço na sociedade” – talvez tivesse cedido às inúmeras investidas de homens no ambiente de trabalho, não fosse a certeza de querer obter reconhecimento profissional pela minha competência e não pela minha vagina. Para cada sedução uma descoberta e a certeza de que para se atingir “lucros”, outros caminhos existem além da cama. Os homens estavam lá para que eu me questionasse e decidisse.

“Tirar a comida da própria boca para dar a um filho” – definitivamente eu faria isso, se não tivesse ao meu lado um HOMEM que, junto comigo, se desdobrasse para prover a nossa família e, enquanto sozinha, não conseguisse sustentar a prole.

“Conhecer a magia da gestação” – e não seria possível se não existisse um HOMEM para colaborar com essa experiência, mesmo que a produção fosse independente.

Várias mensagens, senão todas, favorecendo a mesma reflexão. A de que é humanamente impossível se descobrir mulher sem um HOMEM, que ausente ou presente, carinhoso ou não, fecunde, nutra, instigue o emocional ou o racional da mulher, tente neutralizar as competências com as seduções, seja naturalmente diferente e, assim sendo, nos atraia com um magnetismo desconcertante e um desafio inquietante de nos enxergamos por intermédio de sua imagem, nos tornando mais guerreiras, mais inteiras, à medida que permitimos deixar fluir nossa essência masculina, sem que para isso necessitemos competir, denegrir ou devorá-los.

Feliz dia... para todos!


Ana Virgínia Almeida Queiroz







1 de mar de 2012

O que você responderia?

Quarto mês de gestação, recostada na cama após o almoço, a afilhada de 5 anos que foi passar o final de semana na casa da Dinda, abre a porta repentinamente, aproxima-se da cama, faz um carinho na barriga da madrinha  e “solta a bomba”:

-Criança, super empolgada: Dinda, sabe o que eu descobri?

 
-Dinda, mais empolgada ainda: Não minha linda. O que foi?

-Criança: Descobri que tenho uma bolinha dentro da minha “perereca”.

-Dinda, se ajeitando na cama e quase colocando o filho pela boca: Hã?

-Criança: Dindaaaaa, uma bolinha na minha “perereca”, quer ver?

-Dinda, já recuperada do susto: Não precisa, eu sei que tem...

-Criança: É gostoso mexer nela! Faz cosquinha... você também tem?

-Dinda: Sim. Tenho. Todas as mulheres tem essa bolinha, chama-se clitóris.

-Criança: Deixa eu mexer no seu “pilitolis” para você ver como é bom!

-Dinda (agora o menino nasce!): Não é “pilitolis”, é clitóris. E olha só, não é legal as pessoas mexerem no clitóris de outras pessoas, entendeu? Cada um mexe no seu. Se alguém quiser colocar a mão, beijar ou ver o seu clitóris, você não deixa. Só sua mamãe, seu papai ou seu médico que podem ver caso você esteja sentindo alguma coceira, dor... mas mexer para fazer cosquinha NINGUÉM pode. Só você!

-Criança: Mamãe e papai não podem fazer cosquinha?


-Dinda: Cosquinha, só você! E também não é legal fazer isso na frente de outras pessoas, ou toda hora. Quando for fazer é bom que lave as mãos para fazer e depois que fizer também, combinado?

-Criança: Tá! Mas eu posso te contar quando “eu fazer”?

-Dinda: Não precisa, basta lembrar o que eu estou te falando, ok? Mas se quiser contar vou te ouvir. Você já conversou isso com sua mãe?

-Criança: Ainda não... acabei de descobrir...

E saiu correndo porta afora com a mesma intensidade e naturalidade de quando entrou...
-Dinda, quase falando sozinha: É legal que conte para ela... será que me ouviu????????????


*A leitora que nos encaminhou a crônica pediu para manter o anonimato.


A reação mais comum em situações semelhantes a essa é a repressão imediata. O “tira a mão daí! Não faça isso! Isso é feio! Você vai se machucar!”, são frases comumente utilizadas. Nossos recalques sexuais, frutos da nossa educação, são acionados instantaneamente e reproduzimos, senão igual, quase que da mesma maneira como os adultos reagiram às nossas descobertas.

Instruir uma criança quanto à melhor forma de se tocar não representa necessariamente um incentivo à masturbação, mesmo porque, qual a garantia de que um “grito proibidor” fará com que a criança desista? A probabilidade dela não parar é grande, mas agora se sentindo culpada por estar cometendo um erro, desobedecendo uma ordem.

Se, por outro lado, isso se tornar muito frequente, o adulto poderá tentar “desviar” a atenção da criança para outras atividades. Caso isso não resolva, buscar entender outras razões (como a ansiedade, por exemplo) que a leva à prática excessiva pode favorecer intervenções mais assertivas. Se nada disso resolver, não hesite, procure suporte de um psicólogo.

Na medida do possível, observar que sentimentos são despertados em cenários como o descrito também é importante, uma vez que normalmente definem a reação dos adultos. Se conseguir segurar o impulso repressor, ótimo! Na dúvida de como agir, não aja, espere, converse com alguém habilitado e oportunamente atue.

A orientação sexual nas crianças, além de favorecer um desenvolvimento psíquico, afetivo e corporal mais sadio, pode representar uma aliada na prevenção de abusos sexuais contra elas. Fortalece o vínculo, a confiança e é muito importante que ocorra de forma natural e descontraída. Pudor e malícia pertencem aos adultos, criança exala espontaneidade. Reaprendamos com elas...

Parabéns Dinda e obrigada pela rica contribuição!


Psicóloga: Ana Virgínia de Almeida Queiroz / CRP: 01-7250








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