22 de fev de 2012

Transtorno do Pânico


A síndrome do pânico enquadra-se no conjunto de transtornos de ansiedade e, segundo Ana Beatriz Barbosa Silva, ocupa uma frequência relativamente baixa se comparada aos demais transtornos de ansiedade, especialmente às fobias (medos exagerados). Em contrapartida, as pessoas que sofrem do distúrbio em questão são as que mais procuram auxílio médico.

Isso se deve, em parte, à  gama de desconfortos de ordem física que “invadem” o indivíduo durante o ataque de pânico. O mais comum é a suposição de estarem sofrendo um ataque cardíaco, pois são acometidos por sensações de morte iminente em função de uma aceleração no coração, suor intenso, tontura, falta de ar, dor no peito e a sensação de que algo muito ruim vai acontecer.

O diagnóstico não é simples. A apresentação de um único episódio, que não se repete ao longo dos anos, não caracteriza a instalação do transtorno. Faz-se necessária a freqüência dos episódios, provocadores de comportamentos e sensações que interferem negativamente no dia a dia dos portadores e, ainda assim, é importante afastar a possibilidade das crises serem desencadeadas por outro distúrbio de ansiedade ou por problemas de ordem orgânica.

As crises de pânico, além de favorecerem todo o desconforto de ordem corporal no indivíduo, geram o medo de novos episódios, pois nunca se pode prever quando irão acontecer. Isso limita a liberdade do portador, fazendo com que ele desenvolva uma crescente ansiedade a respeito de locais ou situações propícias às crises que acontecem sem aviso prévio. O sofrimento também é somado às constantes infirmações dos profissionais da área de saúde quando tentam “tranquilizar” o paciente quanto à ausência de problemas ou à simplificação de soluções para o conflito – “Você não tem nada! Está ótimo” ou “Passe um final de semana em um SPA e tudo ficará bem”.

Ainda segundo Ana Beatriz Barbosa Silva, as mulheres são mais acometidas que os homens e as razões para isso ainda não são bem compreendidas. Nos fala igualmente sobre uma propensão genética, onde o estresse afetivo possa representar o maior desencadeador desse transtorno. Robert L. Leahy, exemplifica, assinalando históricos de rompimentos familiares, ou ameaça de rompimentos, perda de um dos pais ou de um ambiente estável ou, finalmente, perda de um relacionamento, afastamento de casa ou da comunidade.

Em sua obra Mentes Ansiosas, a renomada médica nos elucida sobre os sintomas e pensamentos mais comuns no portador.

Físicos:

- taquicardia
- suor intenso (principalmente na face ou cabeça)
- tremores ou abalos musculares
- sensação de falta de ar ou sufocamento
- sensação de asfixia ou aperto na garganta
- dor ou desconforto no peito
- náusea ou cólica
- tontura, vertigem ou desmaio
- sensação de estranheza consigo mesmo
- medo de perder o controle ou de enlouquecer
- medo de morrer
- sensação de anestesia ou formigamento
- calafrios ou ondas de calor

Pensamentos:

- vou ter um ataque cardíaco
- vou ficar louco
- vou morrer
- vou ter um derrame
- vou ser tomado como alguém fraco
- vou desmaiar e vão rir de mim
- não posso ficar sozinho, preciso de alguém para me socorrer
- não consigo controlar minha vida e preciso ser capaz de fazer isso
- não posso dirigir, pois posso perder o controle do carro e bater
- não posso praticar esportes, pois posso morrer
- não posso fazer sexo, pois posso enfartar
- se eu não dormir posso enlouquecer ou ter um colapso nervoso
- não posso me emocionar nem chorar, senão perco totalmente o controle das minhas emoções.

Para aquele que sofre do transtorno do pânico receber tal diagnóstico pode representar um alívio, pois até então toda a situação é confusa e não faz sentido. Ao compreender como se processa o medo em seu organismo e as razões que o desencadeiam, começa a encontrar forças para prosseguir. O tratamento é medicamentoso associado à psicoterapia e é fundamental para a melhora do quadro e a retomada de uma vida normal, favorecendo ainda, maior liberdade para aqueles que convivem com o indivíduo, uma vez que também se tornam reféns da síndrome em função da dependência que provoca no portador.

Suporte bibliográfico:
- Psiquiatria básica – organizadores: Mario R. Louzã Neto, Thelma da Motta, Yuan-Pang Wang, Hélio Elkis / 1995;
- Livre de ansiedade – Robert L. Leahy / 2011;
- Mentes ansiosas – Ana Beatriz Barbosa Silva / 2011


Psicóloga: Ana Virgínia de Almeida Queiroz / CRP: 01-7250

Google+ Twitter Facebook Delicious Digg Favorites More