30 de jan de 2012

Ansiedade – um recurso para o sucesso!


“Há semanas não durmo direito. Acordo sempre às quatro da madrugada... meus pensamentos ficam dando voltas, os problemas durante os momentos de insônia são muito maiores do que durante o dia... ando me sentindo muito cansada e não me fixo em nada. Sinto muita tristeza, pois não consigo concluir minhas tarefas. Quero comer, mas ando enjoada, paradoxalmente o doce me acalma. Quero chorar, fico irritada, quero ficar sozinha, dormir, meu corpo dói, tenho muita sede...”

Causadora de sintomas desagradáveis, a ansiedade é vista pela maioria das pessoas como um problema a ser eliminado quando, em sua essência, é uma emoção benéfica. Nos quadros de ansiedade normal, o indivíduo encontra-se em estado de alerta, mobilizado na resolução de desafios e problemas. Utiliza-se da energia ansiosa gerada pela situação para descobrir a energia vital, ou seja, vê o problema, o sente e o utiliza para a vida.
A ansiedade pode ser situacional ou específica ocorrendo episodicamente e associada a determinados eventos, situações ou objetos, a exemplo de pessoas que se incomodam na presença de insetos, ou com a possibilidade de viajar de avião ou falar em público, entre outros. Pode ocorrer ainda de forma espontânea, surgindo sem motivos aparentes. Quando a ansiedade é habitual considera-se um traço de personalidade, sendo bastante comum em pessoas definidas como estressadas (lembrando que o estresse entre tantos distúrbios de ordem física, dificulta a perda de peso em razão dos altos níveis de cortisol e adrenalina liberados no organismo).
     
Quando patológica, converte-se em temor excessivo e irracional de situações enfrentadas diariamente. Pode gerar desânimo, tristeza, hiperatividade e até mesmo depressão. Nesses quadros, a pessoa se deixa contaminar pelo problema, concentrando toda a energia que tem para resolvê-lo, mas sem sucesso. A ansiedade patológica envolve seis diferentes transtornos – fobia específica, transtorno obsessivo compulsivo, transtorno do pânico e agorafobia, transtorno de ansiedade generalizada, transtorno de ansiedade social e transtorno de estresse pós-traumático.

 Os resultados mais comuns em pacientes com transtornos de ansiedade são diversos, podendo envolver obesidade, anorexia, bulimia, alcoolismo, timidez, abuso de drogas e tabaco, dificuldade para dormir (preocupações excessivas e recorrentes), sensações de choque ou desamparo, relacionamentos insatisfatórios, pouca efetividade no trabalho e até mesmo suicídio. O transtorno de ansiedade precisa ser tratado para que a energia ansiosa seja utilizada na busca de resultados positivos, que gerem satisfação e bem-estar. O tratamento envolve acompanhamento Psiquiátrico e Psicológico.

O modo como lidamos com a emoção em questão, seja ele positivo ou negativo, resultando em uma ansiedade normal ou patológica, tem suas raízes estruturadas em nossa história de vida. Sentimentos de frustração quanto à nossa demanda de afeto e reconhecimento, uma educação perfeccionista, pais depressivos, controladores, nervosos e super protetores, conflitos familiares retidos (ninguém fala abertamente sobre um problema), pouca ou nenhuma socialização, históricos de separação dos pais, de violência doméstica ou de abuso infantil, são alguns dos fatores que podem desencadear o desenvolvimento de um transtorno de ansiedade, mas o (re)conhecimento de tais causas e a resignificação dos sentimentos originados em tais vivências podem representar também a chave para um aprendizado quanto à melhor forma de lidar com ela, por não se tratar de algo de que devamos tentar nos livrar. Compreendê-la é uma maneira de escapar da sua “tirania” e explorá-la em busca do equilíbrio físico-emocional. 

Suporte bibliográfico:
Psiquiatria básica – organizadores: Mario R. Louzã Neto, Thelma da Motta, Yuan-Pang Wang, Hélio Elkis / 1995;
Livre de ansiedade – Robert L. Leahy / 2011;
Quatro gigantes da alma – Mira y López / 2010

Psicóloga: Ana Virgínia de Almeida Queiroz / CRP: 01-7250




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